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Aí vamos de novo com uma pitada de censura, um pouco de interesses da mídia e gente ambiciosa: O resultado é dissatisfação dos fãs de verdade, um diretor de anime pedindo demissão e uma nota preta para os produtores! Bravo!
Ok, explicando.
Recentemente eu falei sobre Code Geass, e de todo seu esplendor e magnificência. O anime está atualmente já na segunda temporada(foram 25 episódios da primeira), no episódio 19. O anime continuava muito bom, veja bem, no entanto, alguns buracos e eventos estranhos estavam acontecendo, algo que não aconteceu na primeira temporada. Por mais inexplicável e fantástico que algo tivesse acontecido, em pouco tempo nós iríamos contemplar a genialidade da história e dos acontecimentos. Aquele gosto que só chega pouco depois do susto. Em Code Geass R2 não estava assim. Foi jogada muita ação no anime, o que não era o principal da primeira temporada, e o desenvolvimentos dos personagens foi levemente paralisado, dando atenção às explosões e novos modelos de mecha a cada episódio.
Foi então que há pouco o diretor do anime, Gorō Taniguchi, diretor de muito prestígio, anunciou uma conferência para explicar o que estava acontecendo. Revoltado, Taniguchi afirmou que a segunda temporada de Code Geass, como ele havia planejado, iria ser bem diferente da que estamos vendo agora (!). A razão que ele deu para esta afirmação foi a mudança de horário de exibição de Code Geass no Japão: Havia mudado de Sexta-feira, 19h, para Sábado, 17h.
Pode-se pensar que uma mudança deste tamanho não influenciariam em muito, no entanto, foi um golpe no roteiro de Taniguchi. Tudo o que ele havia planejado foi jogado praticamente no lixo, sob razões de que não eram adequados ao “horário nobre” ao qual o anime agora estava sendo exibido. Foi pedido um novo roteiro, às pressas, pois ele não sabia da mudança de horário, para agradar aos executivos da companhia. Esta mudança serviu para aumentar o público geral do anime, englobando uma faixa mais nova de idade, pelo horário e dia, e, para fixar este público, mudanças na trama deviam ser feitas(além da remoção dos fatores que violavam a censura).
Após este evento, Taniguchi especulou que talvez saísse deste tipo de indústria, se dedicando à outras animações.
Desde o primeiro jogo onde se existia algum tipo de pontuação, existe a divisão dos jogadores aficionados, que passavam horas a fio pendurados jogando(os “Hardcore Gamers”); E os jogadores que podiam até ter um video-game, mas que jogavam esporadicamente, sempre em um nível relativamente abaixo dos Hardcores(os “Casual Gamers”). Quase todas as produtoras, empresas, desenvolvedores, etc de hoje em dia, quando vão fazer um jogo, pensam com um peso substancial: “Este jogo vai ser para Hardcore ou Casual gamers?”.
Por muito tempo foi assim, os jogos épicos, longos e imersivos eram todos Hardcore, enquanto os ‘joguinhos’ bobinhos, leves, no entanto recompensantes em sua maneira de ser(do estilo Harvest Moon), eram os ‘casuais’. Em Harvest Moon(em TODOS), você é um sujeito que de alguma maneira(sempre diferentes), acaba herdando uma fazenda(quase sempre) em Mineral Town. A fazenda, abandonada por um tempo, está cheia de pedras, galhos, grama, etc, e você agora começa a cuidar da fazenda. Em grande parte dos jogos, você pode passear pela cidade, fazer um monte de coisas, casar com uma das meninas(alguns jogos você pode ser uma menina e casar com meninos). Você pode vender legumes, leite de vaca, ovos de galinhas, lã de ovelhas, mel de abelha, etc etc. Um jogo a primeira vista muito simples repetitivo, no entanto, se você quer ser bem sucedido, e rápido, estratégia tem que ser empregada, saber o que plantar, quando, escolher vender uma vaca ou não, entre outras coisas.
Normalmente, os jogos casuais possuem controles fáceis, rápidos de aprender, uma jogabilidade intuitiva, enquanto os harcore possuem listas de comandos e realidade ao máximo, onde você precisa de muito tempo para jogar no nivel profissional e competir entre os melhores, coisa que os casuais não se preocupam muito em fazer. Jogos casuais são aqueles onde você joga quando está sem nada para fazer, para se acalmar do stress do dia, entre outras coisas.
No entanto, a linha entre “Hardcore” e “Casual” está cada vez mais ficando tênue e fina, misturando conceitos de ambos e criando uma classe de jogador que não se enquadra em nenhuma. Os jogos cada vez mais querem atrair ambas as audiências, criando jogos que atendam a ambas as necessidades, misturando contextos e jogabilidades diversas, uma tarefa cansativa, mas crucial para os produtores nessa época de jogos sendo produzidos para as massas. Mas mesmo com jogos cada vez mais sendo jogados por tipos de pessoas diferentes, ainda sente-se a pressão da categorização do perfil do jogador, e por vezes dos jogos.
Por exemplo, um sujeito que goste de jogos, e joga os jogos ‘hardcore’, mas não tem horas a fio para ficar jogando. Ele joga na medida do possível, aproveita o jogo e se diverte, o que é a proposta dos jogos. No entanto, esse mesmo sujeito, enquanto está transitando entre lugares(um ônibus, por exemplo), tire seu console portátil do bolso, ligue Harvest Moon e jogue pelo tempo que puder. Ele se diverte também, enquanto acumula horas de jogo(provavelmente mais do que o jogo ‘hardcore), conseguindo uma fazenda altamente produtiva, que muitos hardcore gamers nem se dariam ao trabalho, e que se impressionariam com o tamanho da fazenda, o formato da plantação, a quantidade de animais felizes e produtivos, entre outras coisas.
Este jovem-exemplo é mais comum do que se imagina, deixando muito obscuro onde termina um casual e onde começa um hardcore. Afinal, onde ele se encaixaria?
A censura é uma arma governamental poderosa, sempre polêmica. Principalmente quando ela se trata de jogos, trailers de jogos, propagandas de jogos, isso de jogos, aquilo de jogos, etc etc.
No entanto, não há razão para tanto preconceito no quesito de jogos. Já existem inúmeras evidências cientificamente provadas e documentadas, que um jogo eletrônico não estimula violência, roubo, preconceito, entre outras coisas. É o mesmo que dizer que RPG incentia rituais de magia negra! E olha que a mídia adora falar de RPG e jogos, simplesmente porque o país é cheio de gente com conceitos antiquados e preconceituosos. Jogos e RPG só fazem mal para pessoas que tem problemas mentais de psicose, ou algo parecido.

Imagem típica de um jogador de video-game
Eu até me lembro de uma das pesquisas totalmente parciais contra video-games. Foram selecionados um bando de pirralhos de 10 anos, e cada um ficou jogando por meia hora, ou Street Fighter, ou Pitfall(aquele de atari que você fica pulando corda pra escapar de jacarés). Imediatamente depois levaram todos os pirralhos para uma sala enorme, cheia de joão-bobos e cordas penduradas sobre piscinas de bolinhas. Foi então observado que a maioria dos garotos que jogou street fighter estava socando joão-bobos, e a maioria dos que jogaram pitfall estavam brincando de tarzan. Conclusão: Jogos de luta desenvolvem comportamento violento na formação da criança.
Uau, realmente uma influência que vai tornar o moleque um assaltante violento queimador de índios, só porque ele joga Street Fighter. O que dizer então da criação, ambiente social, educação, Televisão e Filmes?
Por que GTA4 recebeu o selo de 18+ na censura? Vamos lá: Violência animada, Sangue, Linguagem chula.
Não que eu discorde, acho que GTA4 realmente é violento. Mas então vamos ver como fica a censura dos filmes:
O novo filme do Batman recebeu censura de 12 anos. Qualquer um que viu o filme diria que a censura está muito baixa. O que tem dizendo sobre a censura de Batman: Violência, Linguagem chula. No filme ainda exsite tortura, terrorismo, entre outras coisas violentas também. Não digo que Batman deveria ser 18 anos, mas obviamente não está para 12 anos.

Enfiar um lápis no olho de alguém não influencia uma criança a fazer maldades. Roubar um carro num jogo, sim?
O que dá motivo para essa discrepância na censura de jogos e filmes, nós seres mortais nunca descobriremos. DInheiro? Provável. Preconceito? Também provável. Mas, mais que tudo, acho que homens de posição, que nunca jogaram um CS numa lan house, quando vão buscar o filho na lan house e presenciam o próprio filho gritando “VAI! DÁ UM HEADSHOT NESSE PUTO! MATA!”, é o mesmo homem que escreve uma lei querendo proibir CS, como aconteceu recentemente.
Uma perspectiva triste, onde a ignorância, mais uma vez, restringe a liberdade do público.


