Cá vamos nós, com outro post revolta-desabafo. Mas, é a vida, não é mesmo?
Hoje dedico este post aos games em geral, e ao absurdo que é o Brasil nesta área. O Brasil se gaba de sua tecnologia, de seus avanços econômicos, do seu petróleo, da sua facilidade em ter empresas multinacionais aqui, mas todos sabemos que comprar tecnologia no brasil é uma merda.
Comprar uma placa de vídeo no Brasil é um estorvo, principalmente fora de São Paulo. No sencontramos com alfândegas, impostos, pedidos, mercadoria extraviada, entre muitas outras coisas. Pra, no final, descobrirmos que se pagaria mais barato se comprasse em dólar. O que infelizmente não pode ser feito, por causa da frescura brasileira.
Isto se aplica a computadores, monitores, televisões, video-games, telefones, entre muitas outras coisas. A legislação brasileira é a maior culpada, e quando não diretamente (como o impedimento de jogos do iPhone no Brasil), afeta indiretamente, pois as empresas internacionais não estão nem um pouco com saco de ficar driblando as leis brasileiras para tentar vender aqui dentro.

Counter-Strike proibido: Fruto de um idiota governamental precisando mostrar trabalho. Um dos motivos dos jogos não embarcarem no mercado brasileiro.
Agora entramos, então, na discussão sobre jogos eletrônicos. Aqui a situação está um pouco mais feia que telefones ou peças de computadores. A indústria de jogos eletrônicos está entre as maiores 5 indústrias. Não sabia? 80% dos brasileiros não devem saber, afinal, quando alguém fala “poxa João tem um xbox 360″ todo mundo arregala os olhos. Por que? Porque aqui no Brasil, uma porra de um xbox 360 custa de 1,000 a 2,000 reais. E os jogos? 120 a 180 reais. Mundo afora, o xbox é vendido por 150 dólares. Os jogos custam de 40 a 60 dólares. Além da diferença ululante do salário mínimo americano, que transformando em reais dá quase 10 vezes o valor do mínimo daqui, os preços de jogos e video-games no Brasil são extorquivos.
O motivo real destes preços, infelizmente, é uma junção das dificuldades impostas pelo Brasil e sua ótima agência de censura, e a pirataria no Brasil. Antigamente, tente se lembrar, existia a Sega, a Nintendo, a Sony, etc. Todas tinham fábricas no Brasil, fazendo video-games para nós, a preços relativamente acessíveis. No entanto, o Paraguai conseguiu ganhar um lugar no bolso dos brasileiros, e os piratas começaram a rolar na grana dos outros. As empresas começaram a perder interesse, e acabaram por fechar seus escritórios brasileiros. Sim, todos. O mercado brasileiro foi jogado de lado por causa da falsificação desenfreada, e agora só vemos video-games importados na nossa frente.

E aí? Vai levar, legal? Baratinho baratinho.
Fora da crise brasileira dos jogos, que infelizmente não vai melhorar tão cedo, ainda existe outra guerra: as plataformas. Atualmente, os video-games que combatem pela supremacia são o Xbox360, Playstation 3, Wii, e PC.
O Wii está praticamente fora desta batalha. Ganhando de longe, ele apelou para os jogadores casuais, e vendeu toneladas (o preço baixo também ajudou). No entanto, PC, Xbox e Playstation combatem para mostrarem como são os melhores, no melhor estilo hardcore.
Agora, esta divisão afeta os brasileiros muito mais que o pessoal dos outros países. Cada video-game destes tem títulos exclusivos, franquias e estúdios que só trabalham para uma das fabricantes. Recentemente, está havendo uma maior diversidade disso. Franquias começam a vender para outras fabricantes, desapegando-se de alianças de anos a fio. No entanto, ainda temos várias empresas cabeça-duras, que por preconceito e completa ignorância, preferem não lançar um jogo em uma certa plataforma (pior! que antes suportavam!). Jogos como Gears of War 2, Halo 3 (ambos da Micro$oft, Xbox), entre outros jogos, completamente ignoram as outras plataformas (mesmo tendo lançado antes para PC!), obrigando o jogador a comprar o console específico deles para poder jogar este jogo em questão.
O jogador de PC é o que mais está sofrendo atualmente. Um fã da Sony que compra um Playstation sabe que nunca vai jogar Halo no seu playstation, um fã da M$ com Xbox sabe que não vai jogar Metal Gear Solid. Mas e o jogador de PC? Ele está completamente à mercê desta selva. Claro que existem também jogos de PC exclusivos, mas a maioria deles é de um estilo que jogadores de console não gostam, ou jogam pouco. Já os jogos exclusivos de console apetecem, e muito, jogadores de PC, que tendem a ser mais ecléticos em relação a estilos de jogos.

Tãn-dammmmm. Tpshhh!
A realidade triste do Brasil neste contexto todo só tende a piorar para nós, jogadores do PC. Além de termos que batalhar com lojas e importadoras por nossas peças para atender aos últimos gráficos, ainda temos o duro trabalho de esperar que um maldito jogo que foi lançado à meses para algum console venha ao PC, o que pode, ou não pode, acontecer. O que nos outros países é uma solução simples (comprar todos ou alguns consoles + um pc decente), no Brasil é inviável para a maior parte da população.
Deixo aqui minha reclamação dos piratas, principais responsáveis pela saída do mercado de jogos do Brasil (não sou hipócrita, eu baixo jogos, mas os compro caso sejam dignos de nota), e, apesar de sempre ter existido, acho uma pena os jogos ainda estarem divididos hoje em dia. O que antes era um problema de incompatibilidade, agora é um problema de capital e concorrência.
E nesta selva toda, lá está o Wii, que assiste a tudo com um sorriso no rosto, a briga eterna dos gamers hardcore.

1 comment
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Novembro 24, 2008 às 4:23 pm
débora
e é por isso que vamos para o Canadá.